!DOCTYPE html PUBLIC "-//W3C//DTD XHTML 1.0 Transitional//EN" "http://www.w3.org/TR/xhtml1/DTD/xhtml1-transitional.dtd"> Calma Penada: Abril 2006

Calma Penada


«O optimismo é uma preguiça do espírito». E. Herriot. + «Uma assombração que se preza não pode ser preguiçosa. Buuuh!». O Fantasma do Misantropo.


domingo, abril 30, 2006

A Gradação dos Escândalos

Em semana eleitoral autárquica o Sr. Blair temia que um dos dois escândalos que corroem o seu governo piorasse. Pois agravaram-se os dois. O Secretário (ministro) do Interior que permitira irregularmente a libertação de condenados alvos de expulsão, ou a aguardar decisão sobre ela, viu seis deles reincidir em curto espaço de tempo, tendo um incorrido na mediática repugnância que rodeia uma violação. Para cúmulo, a relação adulterina do substituto formal do PM, John Prescott, conheceu novas revelações, com a ex-amante a contar a história toda à Imprensa, em troca de 250.000 libras.
À primeira vista pareceria muito mais grave o primeiro caso. Tem, aliás, suscitado campanha cerrada da oposição Conservadora. Mas, dentro do próprio Partido Trabalhista, é a cabeça de Prescott que é pedida. A velha regra de que as escorregadelas sexuais penalizavam mais os Conservadores, por colidirem com o discurso oficial do partido, mais próximo de uma moralidade orientada para a coesão familiar, está aqui a ser infirmada. E importa perceber porquê.
É que a ligação perigosa do Membro do Gabinete era a ex-secretária, logo integrava, no sistema britânico, o Civil Service. E os súbditos de Sua Majestade sempre foram muito ciosos da independência do seu funcionalismo face aos políticos, por confiarem bastante menos nestes. Para cúmulo, a entrevistada confessou que serviram para as acrobacias de ambos instalações governamentais, com portas abertas que permitiram a outros servidores da Coroa aperceber-se da coisa e, num dos casos, tendo, insensivelmente, tido lugar logo após um Serviço religioso em honra dos caídos no Iraque.
Muito mais do que numa quebra dos interditos relacionados com o relacionamento com subordinados, ou mesmo da elisão de confiança que a traição marital envolve, o grande clamor deve ver diagnosticadas as respectivas origens na falta de respeito de um "arrivista partidário" perante o corpo estatal que os ingleses mais apreciam.

sábado, abril 29, 2006

Do Ataque Iconográfico

Agora que parece ter assentado a poeira em volta da celeuma provocada pela publicação das célebres caricaturas de Mahomet, aproveito a penada calma do fim de semana para uma pequena reflexão: Nunca se levantou pé de vento semelhante contra gravuras famosas , como a de Gustave Doré ilustrando a «DIVINA COMÉDIA», que, essas sim, atacavam toda a Religião Islâmica, situando o Profeta no Inferno e dando-o como arrependido da criação do novo Credo. Ao contrário dos rabiscos de meses atrás, referentes apenas aos sectores radicais que se propõem propagar o Islão à bomba, sendo certo que, tragicamente mas sem inocência, faltou legendagem que restringisse o âmbito da sátira às devidas proporções.
Donde, uma conclusão se impõe: hoje, como sempre, é a incitação ao riso que mais custa a suportar. Ainda que só atinja o alvo de raspão, ao contrário de uma investida a sério que embata frontalmente.

sexta-feira, abril 28, 2006

Populismo Visto de Frente

O populismo costuma ser temido pela acção negativa que possa desempenhar a sua conecção com o eleitorado, abjurando coerências doutrinais e, o seu oposto, respostas pragmáticas e rotinas institucionais em exclusivo proveito da relação directa do caudilho com a massa. Na nova coligação polaca o que se teme é, pelo contrário, que o oportunismo se manifeste, na pessoa do Sr. Lepper, como apego extremado aos princípios do seu Partido, o Autodefesa. À Esquerda dos Católicos conservadores do DS, que entretanto equilibraram a coligação na Direita com outra força. Não é que os irmãos Kaczynski precisassem de incentivos anti-liberais, simplesmente equaciona-se a hipótese de o novo parceiro de coligação apresentar um rol de exigências no sentido de travar a liberalização económica, quando ela acarrete facturas importantes a pagar pelas pessoas no dia a dia. Até que force o governo, já de si minoritário, a novas eleições. Mas há um contra: com tão solidificada fama de aproveitador, o tiro pode sair-lhe pela culatra.

quinta-feira, abril 27, 2006

A Ponte é uma Passagem...

.


Roga-se a Todos os que sentem alguma simpatia, ou compaixão, por esta Calma Penada que visitem o autor dela nas vestes de servidor de Estrela Maior do firmamento blogosférico. É a aventura de dois espíritos que se entenderam e que querem continuar um belo intercâmbio de sensações, leituras e congeminações fora das caixas de comentários. Por isso construímos a Ponte Encantada. Faço questão de alertar para que o presente não é um convite para dormir debaixo da ponte. Esperamos ambos que connosco se dignem interagir, justificando este título, como meio de chegar à margem em que as cumplicidades de almas diversas tenham direito de cidade.

quarta-feira, abril 26, 2006

Dois Galos, Um Poleiro

Não compreendo esta onda que grassa na imprensa de atribuir a Comunicação ao Mundo do Sr. Al-Zarkawi, leader dos oponentes aos EUA e à sua filial que em Bagdad governa, como visando marcar pontos quanto à chefia da luta dentro das fronteiras iraquianas. Uma declaração filmada não resolveria coisa alguma nesse domínio, muito mais do pelouro da bala e da bomba. O que me parece evidente é que ele visa mais alto: encabeçar o prospectivo movimento federador dos grupos terroristas islamistas a nível universal. O Sr. Bin Laden fez-se filmar, dizendo que ia «passar a atacar os povos e não só os governos»? O Sr. Zarkawi responde, poucos dias depois, mostrando-se ainda mais radical, garantindo que matará «todos os cruzados e os seus cúmplices». A distinção não é inoperante, já que se propõe eliminar os traidores, mesmo dentro do espaço muçulmano, único campo que Bin Laden, pelos vistos, ainda restringe aos dirigentes. Mas claro que a consequência será outra. Zarkawi está conformado com guerra em duas frentes, contra o Ocidente e contra os Xiitas. Bin Laden, apesar de desinteligências do passado, não quer cortar cerce toda a hipótese de entendimento com aqueles.

terça-feira, abril 25, 2006

25 de Abril, 1974

.

«Finis», de Hogarth.

segunda-feira, abril 24, 2006

Posições Relativas

Muito cansado por um dia adoravelmente preenchido, largo somente uma nota mais, acerca da elaboração ideológica de Bin Laden. Para os que acreditam que a chave está em neutralizar Israel, porque mais poderoso, logo opressor dos palestinianos, veja-se a globalização do combate anti-cristão que o Leader da Al Qaeda prega, num Estado, como o Sudão, onde o Sul, adorador de Jesus, vem sendo chacinado pelo governo islâmico radical de Cartum. Não se trata de ataques selectivos, como os das forças armadas do Estado Hebraico. É verdadeira depuração de Gente que pouco mais tem do que a Fé. Morticínio que não pode ser dado como luta contra o ateísmo e o consumismo, os quais fazem o terror islamista relativamente simpático a olhos preocupados com a decadência espiritual do Ocidente...

domingo, abril 23, 2006

Mobilização Total

As declarações de Osama Bin Laden, dizendo que o Ocidente participa de uma conspiração sionista contra o Mundo Islâmico não encerram novidade. Sempre o fez e sempre o fará, pois precisa de se mostrar capaz de liderar todos os Crentes na luta contra o Inimigo. Este já não convém que seja apenas Israel, ou este e os EUA, porque reduzi-lo a dois Satans de diferentes dimensões seria sempre exceptuar de servidores do Mal outros ramos da Civilização Cristã, o que não convém.
Já censurar os governantes árabes que aceitaram a tese da Guerra das Civilizações, por não falarem, em vez dela, de ataque do Ocidente ao Islão, é especiosa, salvo no que toca à relevância propagandística, tanto em termos de legitimação do uso pelas "vítimas" de meios de "defesa" duros, como de atribuição de exclusividade em sentir as pretensas humilhações e opressões infligidas aos seguidores de Allah. Mesmo do ponto de vista do doutrinador não se vê como subtrair o conceito de ataque à noção de guerra, salvo no que respeite à dignidade e a algumas regras presentes nesta última.
Por fim, aquela que os nossos analistas parecem considerar ser a grande inovação no discurso do leader da Al Qaeda: dizer que não só os poderes, mas também os povos ocidentais são co-responsáveis nessa pretensa hostilidade, por não se rebelarem contra os respectivos governantes. Na prática isto não traduz novidade alguma. Não têm sido as administrações os principais alvos do terrorismo islâmico, mas os cidadãos comuns que iam trabalhar, no WTC, ou, para tal, utilizando transportes públicos. Única diferença, segundo se extrai das palavras do próprio, estaria na qualificação - em vez da matança dos inocentes passaríamos à execução massiva de «culpados». Que seriam os mesmos.

sábado, abril 22, 2006

Ausência

.

«Inocência», de Pino.

Declaração de Intenções

Não vou pronunciar-me - nem teria como - sobre a decisão dos Colendos Conselheiros do Supremo Tribunal de Justiça reduzirem a pena aos famosos assassinos da Joana, um par que deveria ter sido privado dos títulos de mãe e tio, por, alterando a configuração do dolo reconhecido em instância inferior, ter considerado não-provada a intenção de matar.
Mas gostaria de ver muito bem explicadinho o raciocínio dos Digníssimos Magistrados. É que, sabendo-se ter a causa repousado na vontade de que a Criança não revelasse um acto incestuoso - e não numa punição, ou até numa sevícia, com o intuito do prazer, que redundasse num excesso face ao previsto -, seria bom perceber por que razão os decisores acharam que a intenção de ocultação da vergonha de dois desavergonhados não os levaria à segurança plena que só a eliminação da Menina lhes poderia trazer.
É que se a coisa não for bem explicitada, corremos o risco de o nosso sistema judicial só vir a descortinar intenção homicida em assassinos que previamente lavrem a declaração da sua vontade, mediante reconhecimento notarial.

quinta-feira, abril 20, 2006

O Grande Ditador

É mais do que expectável que alguém que publica seja comentado. É mais do que certo que nem todos os comentadores valem o mesmo, porque não há duas pessoas que, em qualquer situação da vida, tenham idêntico valor. Penso que os intervenientes num debate têm inteira liberdade de revelar ou não os seus nomes civis, mas até aceito que haja quem ache o contrário. Já defendo, porém, que deveria haver pudor em atacar os comentadores habituais da blogosfera, quando não se tem caixas de comentários abertas. Não se trata de Democracia, que é sistema que rejeito, nos moldes da que, hoje, como tal se intitula. Trata-se, sim, de garantir o contraditório, quando se faz acusações; e de desportivismo, dois conceitos que estimo.
Censurar as empatias que se geram entre identidades blogosféricas é sempre susceptível de ser encarado como despeito de quem não tem a liberdade de gozar as que provocasse, em virtude de a sua reputação, fora do meio, inculcar sempre a suspeita de serem interesseiros os elogios e motivados por odios à actividade pública as críticas.
Dizer que o hábito de comentar é compulsivo vira-se contra o próprio que a formula. Quem fala não singrou na Vida pública pelo talento de historiador que porventura tenha, mas pela notoriedade no comentário público que o catapultou. Os remoques que debita contra o comentarismo circundante, fazendo tanto sentido como os que lhe fossem dirigidos por ser pago por redigir os seus, ou por ancorar um esboço de carreira partidária neles, acabam, portanto, reduzidos a caneladas entre colegas, pouco importando o grau de reconhecimento de um ou de outros.
Só para exemplificar as várias artimanhas de que uma intervenção deste género vive, devo salientar a junção do que interessava a uma realidade que com ela não tinha conexão e a outra que é inverificável. Falo do cometimento de um crime por um blogger, no primeiro caso, bem como da qualificação de acidez, infelicidade e ressentimento à generalidade dos comentadores, aos anónimos, pelo menos, no outro.
O principal defeito está, como é óbvio, na generalização e na falta de fundamentação. É sempre fácil falar em integrantes de grupo, em abstracto, sobretudo para um homem de formação marxista. O que evita ter de adoptar um certo cuidado nas atribuições e reprovações que se instila, por não se ter de ser rigoroso na descrição dos traços que subsumam um indivíduo a um modelo.
Mas quando, num único caso, se atira meia-dúzia de nomes para a fogueira, sem detença na razão por que refere cada um deles, apenas para condimentar o caldo, além da insinuação ardilosa, escarrapacha a asneira desqualificadora: refiro-me ao momento em que o nickname da Autora do que, para mim, é o melhor blogue português é amalgamado a outros a quem são assacadas as piores tendências. Sempre sem desenvbolvimento no caso concreto.
Num passado recente, tive ocasião de defender este comentador dos comentadores de um juízo pouco abonatório deixado numa caixa de comentários. Mais, disse que sigo com interesse as suas intervenções e que lhe credito a melhoria de nível de debate das questões públicas. Sinto-me pois com inteira liberdade para lhe dar um conselho: deixe-se de tentar impor aos intervenientes na net regras diversas das de ética universal. E de tentar orientar o público para lhes colar motivações psicológicas medíocres. É que o feitiço pode virar-se contra o feiticeiro...

quarta-feira, abril 19, 2006

Sem Espinha(s)

O Sr. Berlusconi deu a quem seguiu a sua patética tentativa de se agarrar ao Poder a grata satisfação de observar a derrota tangencial tornada expressiva pelo esquema de distribuição de parlamentares que, à última hora, engendrara, para não largar o poiso. Depois de tentar mudar as regras a meio do jogo, tinha de compor o ramalhete com a rábula da não-aceitação da derrota, alegando misteriosas irregularidades, quando de si dependiam, administrativamente, a condução e vigilância do processo. Desconfianças artificiais que duram até hoje, com suspeições lançadas sobre uma eleição limpa, ao contrário do bem sujo carácter de quem a impugna. Vendo que não pegava, mandou agora um empregado, o Sr. Bondi, dizer que, afinal, até poderia reconhecer os resultados, caso o Parlamento viesse a elegê-lo Presidente de Itália. Claro que o que pretende é um qualquer prolongamento de imunidade para escapar à Justiça, a qual já esfrega as mãos perante a pespectiva de poder, finalmente, pôr a nu as suas falcatruas. Se não houvesse muitos outros motivos, seria razão bastante para restaurar a Monarquia.

terça-feira, abril 18, 2006

Do Passaport... ismo Como Uma das Belas-Artes


Eis anunciado, com pompa e circunstância, a criação de um novo passaporte português que fará este aqui do lado passar à História. O Ministro António Costa gabou-se de que o documento ora criado seria de dificílima falsificação, além de tratar-se de uma «obra de arte», por incluir reproduções de trabalhos de artistas plásticos lusos. Saúda-se esta rara preocupação de compatibilizar o Belo com o Útil, o que demonstra o anti-platonismo dos nossos governantes. Assim como se exulta com a acrescida complicação da tarefa dos falsários. Mas nem tudo é um mar de rosas: sabe-se que muitos dos documentos de identificação internacional do nosso País que andam por esse mundo a legalizar possuidores ilegítimos não foram forjados em qualquer obscuro estúdio de habilidoso imitador. Foram ou roubados de Consulados portugueses, ou desviados de ramificações da Administração Pública, como Governos Civis. Espera-se que também neste campo sejam tomadas providências. Caso contrário, a inovação servirá apenas para trazer mais segurança aos portadores que impropriamente usem o livrete franqueador. Voto final: Que o comprovativo não seja mais roubado, ao contrário da nacionalidade que, por lei, roubada foi.

segunda-feira, abril 17, 2006

Manés em Lisboa?

Meu Caro Engenheiro:
Sei que o teu post não me era dirigido, em primeira linha, mas ao nosso Caríssimo Jansenista. Ele já Te respondeu, superiormente. Mas como juntaste as minhas iniciais, metendo-me no pacote, tenho de fazer uns esclarecimentos, no estilo terra-a-terra de que não me consigo livrar.
Falas do «nosso maniqueísmo». Da minha parte, nenhum, mesmo no sentido vulgar e impróprio do termo. Nunca invoquei o Holocausto para justificar a minha simpatia por Israel. Sempre separei os dois assuntos. Mas, quando instado, pela condenação de Irving, ou pelos comentários no «misantropo...», a falar do tema, não me furtei. Acredito que houve, de facto a Solução Final. Com a assumida hostilidade Nacional-Socialista contra o Mundo Judaico, não me parece crível que, tendo o gás, os campos e os judeus ali mesmo à mão, com as prioridades que veriam, dentro da economia de guerra, em sustentar os "arianos", tivessem usado as câmaras e os chuveiros apenas para desinfecção. Assim como só um tenebroso wishful arguing me parece capaz de conceber que todos os milhões de desaparecidos tenham sido motivados por epidemias de tifo, ou similares. Mas, que fosse! Sabemos bem que essas "epidemias" não se teriam desenrolado sem as deportações e as condições sub-humanas dos campos, correspondentes aos «sub-homens», como lhes chamavam Goebbels, Streicher e o próprio Führer...
Não posso aceitar um anti-judaísmo destes. Se fosse um do género do de Karl Lueger, ou do de Vichy, com simples demissão da função pública e interdição de algumas profissões, eu opor-me-ia, por considerar paupérrimo o critério de acesso a esses meios. Mas enfim, não contestaria o direito de cada Estado escolher os servidores que entenda. É a diferença que enunciou o Comissário para os Assuntos Judaicos de Pétain, Xavier Vallat: «um anti-semitismo que jamais chegou ao horror da perseguição física».
Não te livras de ser «anti-judaico», pela invocação de uma vaga ancestralidade semita. É a mesma falácia dos que pregam o racismo contra os negros, procurando isentar-se do rótulo que justificaram, dizendo que "até têm amigos pretos". Hannah Arendt estudou amplamente o paradoxo de o anti-semitismo dirigido contra os Judeus, no mundo Germânico, ser mais tardio que em outros locais e ter assentado na acção e teorização de elementos da própria comunidade judaica. Houve muitos judeus anti-semitas, P- Rée, Marx, Weinninger. Até houve alguns no Nacional-Socialismo, como o General Milch e o Poeta Bronnen. Isso nada muda.
Israel é outro problema. O que eu não consigo perceber é a permanência da hostilidade dos detractores do Povo Eleito, quando a solução sionista corresponde a todas as preocupações com que procuraram adornar-se. As duas grandes linhas de força da crítica contra os judeus baseavam-se nas formas insinuantes como eles, alegadamente, dominariam o panorama social e intelectual, através da Finança, da Universidade e das Profissões Liberais, sem travarem a luta franca, de armas na mão; e de estarem na terra alheia, explorando os nativos, porque incapazes de conquistar e defender a sua. Ora, é quando o desmentido surge, com os Filhos de David ocupando e defendendo com meritoríssimo sucesso o naco da Palestina que era seu Berço, ao mesmo tempo que oferecem um destino a todas as ramificações da Diáspora, que se mudam as agulhas para continuar a tocar o disco da aversão atávica! Suspeito que, hoje, Hitler nem seria contra, afinal o Plano A dele era mandar os hebreus para... Madagáscar. Mas há muita gente que quer ser mais hitleriana que o Hitler. Que fazer? E, já agora, não entendo como um Mariano entusiasta como Tu pode esquecer que Deus Nosso Senhor escolheu uma Mulher da Casa de David para gerar o Seu Divino Filho...
Assim como não percebo que não vejas que o Estado fundado por Ben Gurion é hoje o aliado preferencial do Ocidente numa região e contra um inimigo que quer cobrir as nossas Mulheres (em todos ows sentidos), reduzir Jesus a um profeta menor e interditar-nos o vinho que, Consagrado, é o Seu Sangue. A sociedade israelita, exceptuando o nicho ultra-ortodoxo, por seu turno, não difere assim tanto da euro-americana, nas vivências essenciais. E, no que discrepa, não quer impor coisa alguma aos gentios, ao contrário do Radicalismo Islâmico...
É que o meu masoquismo está muito atrofiado. De toda a minha experiência, neste mundo dos blogues, o único ponto em que me terei modificado é a posição quanto ao problema do Médio Oriente. Quando cá cheguei, longe de desejar o mal aos povos que por lá se digladiavam, era, contudo, relativamente indiferente à permanência de uma luta entre duas civilizações que tinha como estranhas à minha. O cocktail entre a Al-Qaeda e os polemistas anti-judaicos da net, por vezes Pessoas que estimo e, noutros pontos, admiro, como Tu, fizeram-me encarrilar, decididamente, pelo apoio à acção israelita. É caso para dizer que Dois Engenheiros operaram a reviravolta: o Bin Laden e o Autor de «mas o rei vai nu». Só que isto é o inverso de maniqueísmo, senão pragmatismo, por um lado, e simpatia por quem se sabe mobilizar contra o número e as riquezas naturais hostis, por outro.
Abraço-Te pois, pedindo-Te que não deixes que o ódio te cegue, ao ponto de Te não deixar ver o nosso próprio interesse.

domingo, abril 16, 2006

As Páscoas

Como poderemos aceitar as recriminações que, de dentro do próprio Cristianismo, se voltam contra o aproveitamento que a Igreja fez das festividades pagãs para implantar as próprias Festas Supremas? Não foi o Próprio Deus que consentiu desenrolar-se o Sacrifício Redentor do Seu Filho durante a celebração judaica da Libertação do Cativeiro Egípcio? Por que não aproveitar as rotinas cultuais à deusa Oastra, com as grafias várias que a celebraram, para lhes conferir o Cunho Fundamental da Verdade da mensagem de um Deus Uno e Trino? Oastra era deusa germano-nórdica da fertilidade, associada ao Sol e à Primavera, festejada no Equinócio respectivo, cujo atributo mais visível era a lebre, onde se quer estabelecer a origem mais remota do coelhinho da Páscoa. Quanto aos ovos, eram também símbolos, não apenas da fertilidade, como da renovação, entre gregos, romanos e... primeiros Cristãos, os quais, desde muito cedo, nele viram um signo da Ressurreição de Cristo. A fusão entre um e outros terá sido alimentada entre as crianças germânicas, que acreditavam que os coelhos lhes viriam trazer guloseimas na altura da Festa; e que nasciam de ovos postos nos campos pelos pais deles.
Que mal tem tudo isto? Que problema há em forjar uma cercadura de maravilhoso universalista que apele aos instintos mais primitivos do Homem em relação ao Sagrado e lhe fortaleça o ânimo, orientando-o para o conhecimento da Mensagem Revelada, sem reprimir hábitos enraizados, cuja essência em nada colide com Aquela?
O rigor mais papista que o do Papa, na verdadeira acepção do termo, dirigido à depuração de elementos pagãos, assemelha-se, estranhamente, ao do polo oposto, o do neo-paganismo, que tenta raspar o Cristianismo das práticas ancestrais e "recuperar-lhes a pureza das origens".
O contrário disto é a abertura universal. Que está na propria identidade do Catolicismo, muito menos enfeudado à marginalização dos sinais exteriores de paganismo do que protestantismos vários. Problemática é a apropriação que os beneficiários do espírito consumista fazem deles. Mas esse é cataclismo de muito maior extensão.

O Triunfo da Vida

.

«A Ressurreição», de Luca Giordano.

sábado, abril 15, 2006

Que Farei Com Este Blogue?

Assolado pela falta de tempo, pensei moderar o ritmo de intervenção bloguística, mantendo uma presença diária, reduzida a três-quatro posts, em vez dos 11-12 a que me vim habituando. E, atormentado pelo tempo que a bloguística andava a roubar às minhas responsabilidades, aos meus livros e aos meus Afectos, acreditei dever encerrar O Misantropo Enjaulado, receando que uma rotina de quase um ano se não coadunasse com moderações tão radicais. Nesse antro, aqui, como um pouco por toda a Blogosfera, os Amigos que a escrita foi fazendo insistiram para que ficasse, tendo Alguns Deles, como o Nonas, votado pela manutenção da velha casa. E, significativamente, o Incansável e Genial BOS exortou-me a que permanecesse calmo. Tinha, entretanto, posto à discussão pública este novo projecto. E afeiçoei-me a ele, gosto do nome - que o João Villalobos louvou - e do template, como penso que a variante assombradora da figura de um misantropo fatigado e fanado pode acrescentar algo.
Eis, então o que tentarei: o mínimo de publicação que me proponho respeitar, mesmo nos dias mais preenchidos, passará a ser constituído por 2-3 postais na casa velha e por um aqui. Tudo somado, uma terça parte do que fui fazendo até agora.
Agradeço, do fundo do coração, Aos que demonstraram interesse pela continuidade.

sexta-feira, abril 14, 2006

.


«Cenas da Paixão de Cristo e o Pelicano com os Seus Filhos», de Hieronymus Bosh. Em atenção à Altíssima Significação do Dia, Sexta-Feira Santa, suspende-se por hoje a emissão experimental de «Calma Penada». Amanhã darei conta das decisões para o Futuro.

 Posted by Picasa

quinta-feira, abril 13, 2006

Antes do Sacrifício

.

«Cristo no Monte das Oliveiras», de Art de Gelder.

quarta-feira, abril 12, 2006

experiência

mito provisório