!DOCTYPE html PUBLIC "-//W3C//DTD XHTML 1.0 Transitional//EN" "http://www.w3.org/TR/xhtml1/DTD/xhtml1-transitional.dtd"> Calma Penada: Junho 2006

Calma Penada


«O optimismo é uma preguiça do espírito». E. Herriot. + «Uma assombração que se preza não pode ser preguiçosa. Buuuh!». O Fantasma do Misantropo.


sexta-feira, junho 30, 2006

Santuário

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A 30 de Junho de 1864 Abraham Lincoln fazia nascer a ecologia contemporânea, ao interditar qualquer exploração privada dos pinheiros autóctones de Yosemite Valley, no Sul da Califórnia. Não só era a constatação da necessidade de preservar o ambiente do Presente para diante, mas um sinal de respeito pelo que tanto tempo demorara a crescer, a assunção do dever de não desbaratar uma herança. Pena que se viva esta atitude apenas relativamente a espaços circuncritos. Bom fim de semana!

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quinta-feira, junho 29, 2006

A Tragédia em Paralelo

O Primeiro-Ministro belga, Verhofstadt, chegou ao poder muito por causa da frustração do seu Povo com uma classa política incapaz de fazer justiça no tristemente célebre Caso Dutroux. No momento de horror que o mesmo País agora vive, dez anos depois, com o assassínio de duas meninas e a violação de uma delas salta aos olhos que o exercício governativo deste demagogo também não sai imaculado. Há um suspeito, um marroquino anteriormente condenado por violação. Ignora-se se terá, como se receia, sido o autor de mais esta repelente realização. Mas o que não se percebe é como um estrangeiro condenado anteriormente por crime tão grave não foi expulso. Se essa pena acessória existe na lei, deveria ter sido cumprida. Se não, urgia criá-la. O parlamento pode bem aprovar votos de pesar. O da maioria anterior também o fazia. Esperemos pois para ver se o que o crime dá, o crime leva.

quarta-feira, junho 28, 2006

Espaço Vital do Determinismo

Um dia depois de ter sido publicitada uma nada convincente teoria, aspirando aos cumes da cientificidade, segundo a qual a orientação sexual seria favorecida pelo número de irmãos, surge uma descoberta muito mais séria, aparentemente, a do gene que propicia a depressão. Este sim, parece domínio em que pode ser relevante o papel do nosso código constitutivo, tratando-se de um padecimento; e não de um oferecimento, cuja esfera própria é a vontade actuante no mercado. Mas devo dizer que chegada do SERT e da sua versão s, têm a atroz e dependente concorrência de outros factores, tais o ambiente, o falecimento de um familiar, um divórcio, um despedimento laboral, ou ter sido maltratado física, ou psicologicamente. Parecem-me, realmente, todas elas razões muito válidas para se ficar, mesmo tecnicamente, deprimido. Só que, então, ao gene ribombantemente anunciado, não caberá papel outro do que o de um empurrãozinho...

terça-feira, junho 27, 2006

De Olhos na Bola

Chirac fez-se entrevistar. Vivendo nós num país em que tanto bem-pensante se indigna pelo relevo dado ao Futebol, agora em versão mundialista, que dizer de uma conversa sobre a situação geral da França, que o Presidente entende concluir com uma manifestação de confiança na respectiva selecção e o voto de a ver na final? O resto foi o avança-recua habilidoso de sempre, fingindo que o Premier de Villepin tem personalidade política própria: defendendo-lhe os resultados no que toca ao desemprego e à segurança, pretendendo esquecer que a principal preocupação do momento se não centra nos números absolutos de ambos os domínios, mas no explosivo cocktail deles, quando relacionados com a população islâmica de segunda geração. O inimigo já lá está e surge sob a forma de vandalismo generalizado, o que dispensa os atentados. Mas o Presidente também fez críticas ao Chefe de Governo - calcule-se, «não ouvir o seu partido e a respectiva bancada parlamentar»! Disso, realmente, não se pode acusá-lo, que toda a vida procurou mexer os cordelinhos da politiquice partidária, apoiando candidato de fora (Giscard) contra o oficial Chaban-Delmas, traindo-o depois como P-M e, por fim, liquidando o RPR para criar uma UMP à sua medida. E, para cúmulo, fomenta agora um tabu quanto a uma recandidatura! Cada vez tenho menos dúvidas de que a nomeação villepinesca tinha como objectivo fazê-lo não sair perdedor de uma comparação.
Não disse de que dependeria a decisão. Estimo que esteja sujeita aos resultados dos Bleus.

segunda-feira, junho 26, 2006

Sem Papel Higiénico

À primeira vista, pareceria haver pontos positivos, na demissão de Ramos Horta e Alkatiri, duas figuras sinistras, por razões diferentes - um, porque obcecado pela promoção pessoal que o catapulte de novo para a Cena Internacional, o outro por ser homem de partido, e logo de um que tanto mal fez enquanto orientado por Moscovos soviéticos e tanto mal continua a fazer, armando grupos de bandidos para protecção própria. Adversário que sou de quaisquer milícias armadas, fossem as costistas da I República, ou a que fazia o prolongamento dos Fascistas Italianos, não poderia tolerar estas, para mais com o triste historial de bandos similares, o colaboracionitas som os Indonésios, do Sr. Eurico Guterres.
Devo porém dizer que me desiludiu bastante a actuação de um Xanana que me era simpático. Nem tanto por alinhar pela Austrália, que, desde que a sucção do Petróleo não fosse total, até poderia ser um factor de estabilidade, partindo do princípio, não tão certo como isso, de que as tropas retirarão. Antes por se prestar a jogatanas de ameaças, sem coragem de accionar os poderes constitucionalmente cometidos, caindo na asneira que bem conhecemos em Lisboa de supor legitimidades opostas dadas por eleições, seja a do Presidente, seja a do partido que governa, de cor diversa. Que é o que continuará a acontecer, por interposta marioneta, com os cordelinhos nas mãos do demitido.
A única maneira eficaz de Lisboa defender o futuro de Timor seria negociá-lo directamente com Camberra. Mas isso não pode o nosso governo admitir, pois seria reconhecer quem conta e, concomitantemente, que teria deixado de contar. E há verdades que não se dizem. A culpa do crime tem 32 anos, a impotência incompetente é actualíssima.

domingo, junho 25, 2006

Estão a Brincar?

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Então queriam política? Hoje? ora tomem lá, propaganda eleitoral do Maniche. Mas não gratuita, que ele pagou-a bem. Vá, não sejam casmurros, vão celebrar.

sábado, junho 24, 2006

Uma Vida Particular

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É um rumor oficial: O ex-presidente Clinton, dos EUA,tem uma namorada nova, uma política e milionária canadiana, Belinda Stronach, que tentou desviar o Partido Conservador para a Esquerda, perdendo com o actual Primeiro-Ministro, defensor do sentido contrário, antes de se transferir para os Liberais e disputar a respectiva liderança, com insucesso semelhante. A confirmar-se, o principal interesse será saber qual a consequência que poderá ter na candidatura de Hillary, em 2008. Embora os americanos gostem de ver uma vida familiar estável nos seus políticos, a pele de vítima também pode render, como aconteceu com a previsível candidata, aquando do Monicagate. Impopular e dada como irritante, até aí, veio a ganhar simpatias, ao menos nos estados do Nordeste, pelo estoicismo e fidelidade com que aguentou o adultério. Duas pessoas devem o boom das respectivas carreiras a Miss Lewinski - a actual Senadora por Nova Iorque, de quem acabei de falar; e o Presidente Bush, que conseguiu derrotar um Vice-Presidente de período de grande prosperidade, moderado e com as vantagens de fortes apoios sulistas e ambientalistas, em grande parte pelo cansaço moral com as tropelias clintonianas. Num País fortemente marcado pelo infantilismo, a tendência é dizer "o Bill gosta da Belinda". Resta saber se, por outras razões, a Hillary poderá dizer o mesmo.

sexta-feira, junho 23, 2006

Contra a Fome!

Os guardas norte-americanos dizem que Saddam recomeçou a comer, um seu sobrevivente advogado assegura que continua em greve da fome. A questão parece-me irrelevante. Não pela velha aversão que nutro contra este expediente reivindicativo, por mim tido como uma chantagem, como todas as outras levada a cabo por fracos, mas com a agravante de o ser por aqueles que não têm mais poder do que sobre a sua faculdade de ingestão. A Causa é outra: se este tipo de luta, normalmente, contém uma pretensão que se quer atendida e o motivo desta foi o assassínio do terceiro defensor do ex-presidente iraquiano, o que exigirá ele? A ressurreição do causídico? Como protesto não é o meio mais indicado.
E eu - que não estou em greve, mas já vou tendo fome - saio para jantar. Bom fim de semana.

quinta-feira, junho 22, 2006

Repetir a Façanha

Depois de dia cansativo e frustrante por não ter acesso telefónico, apenas uma breve nota sobre os panos pretos que em Barcelos se colocarão em local bem visível, como protesto pelo fecho da maternidade. Depois do que aconteceu com o Clube da Terra, deve haver em cada barcelense um niquinho de esperança de ver o orgão competente inverter a sua decisão. O Diabo é que sendo o Ministro um só, não há margem para as folclóricas votações e quoruns de colectivos. E logo num caso em que nenhum adversário lhes disputa a razão!

quarta-feira, junho 21, 2006

48 Milhões

Há muito que as preocupações dos analistas mais previdentes estão viradas para os problemas que assolarão a Humanidade quando os recursos naturais não chegarem para toda a População. Isto é no Mundo real. Porque no virtual diz o Professor Orihuela que a impressionante cifra que o número de blogues atingiu, tantos milhões como anos teve o Estado Novo, se duplica a cada seis meses. Mesmo considerando que todo e qualquer leitor ainda vai tendo capacidade de alargar o número de páginas que visita com maior ou menor periodicidade, o temor da ruptura reverterá, forçosamente, para o excesso de oferta que persiga um universo de consumidores incapaz de crescer ao mesmo ritmo. Quanto a mim, o mais interessante será verifvicar se os bloguistas eliminados por essa peculiar selecção natural se voltarão para a condição de Leitores, ou, pura e simplesmente, abandonarão a frequência da Blogosfera.

terça-feira, junho 20, 2006

O Voo da Águia

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Foi lindo de ver: Essa grande Campeã que já é e maior ameaça ser, Vanessa Fernandes, num apontamento biográfico na RTP1, apostada em levantar bem alto o nome do Benfica, proporcionando-lhe muitos triunfos, com especial relevo para o momento em que falou em «emprestar a medalha à Águia Vitória, para que ela a levasse a dar uma volta pelos céus e a trouxesse de novo» à Dona. Meus Senhores e minhas Senhoras isto é tanto desporto como poesia. Rendamos homenagem a ambos.

segunda-feira, junho 19, 2006

Defesa e Psicologia

A reacção, bastante severa, do Japão ao Anúncio da Coreia do Norte de que experimentará em breve um míssil intercontinental poderá despertar nos Leitores uma perplexa interrogação: «o que é que isto traz de novo?». Com efeito, em perigo para o Japão, é igual ao litro. A ameaça está de pé há muito, desde que o Sr. Kim tem a bomba, ali mesmo ao lado, quase podendo lançá-la à mão. Sério, sério, bastaria qualquer banal míssil táctico adaptado. O que mudou é que com um engenho que pode atingir o Alaska, já têm os nipónicos por onde dizer ao Amigo Americano: "vêem, eles já têm meio de vos deitar a bomba, temos de nos impor". O que é a maneira de, finalmente, alguém lhes ligar alguma quando falarem grosso.

domingo, junho 18, 2006

(Sem) Apelo

Alfred Fabre-Luce dedicou-lhe três livros muito críticos, mas considerava que o apelo gaullista à resistência, feito a 18 de Junho dessa Londres para onde tinha embarcado, era, todavia «um acto nobre». Acertou em ambas as vezes. Mais uma vez o problema estava na pessoa. Partindo do inconformismo com a rendição, depressa passou a gerir as Forças Francesas Livres sem escrúpulo. Ignorou completamente, por ódios pessoais e identificação da causa com o seu ego desmedido, a planificação britânica de uma Vichy na cara da moeda e de uma França Livre na coroa.
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Como mais tarde viria a defender a Algerie Française! enquanto este grito de alma lhe propiciasse o poder, deitando-o ao lixo quando dele já não precisava, apostou-se durante e no termo da II Guerra Mundial em vendettas contra todos os que lhe podiam disputar o mando político-militar. Pétain, certamente. Mas Giroud, contra quem não se poderia falar de entendimentos com os Alemães. Por essas e por outras, Churchill detestava-o, embora, estadista que era, o utilizasse em benefício do seu País. Deu origem ao melhor panfleto político que conheço, o extraordinário «MAURIAC SOUS DE GAULLE», de Jacques Laurent. Também ele viria a encontrar o seu Waterloo, num referendo miserável, sem honra ou glória. Mas foi justiça tardia.

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sábado, junho 17, 2006

A Vitória em Falta

Sempre tenho pensado que, apesar dos notáveis feitos bélicos e do brilhantismo na recolha de informações, Israel teria um dia pela frente a ameaça muito mais temível da demografia, com as populações árabes muçulmanas a reproduzir-se a ritmo muito mais elevado do que aquele que as vagas imigratórias do sionismo compensam. Mas a ser certa esta notícia, está encontrada a solução, sem matar, criando apenas o ambiente pouco propício à actividade que faça proliferar a descendência do inimigo. Bastariam até bombas de pólvora seca, ora vão lá ver.

sexta-feira, junho 16, 2006

Contraposição

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Andei por Lisboa uma tarde inteira, fazendo muito menos do que quereria, por causa da malfadada ponte. Além de frustrado sinto inegável inveja dos beneficiários dela. Para obter alguma reciprocidade, aqui deixo uma, de outro género. Saio para jantar. Bom fim de semana.

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quinta-feira, junho 15, 2006

A Cor do Dinheiro

Israel se começou a fazer com ele, o governo palestiniano radical do Hamas ameaça desabar pela sua falta. Afinal, não havia tão grande ansiedade como isso em suspender o cessar-fogo com Israel. Depois de mortos dois importantes peritos em lançamento de rockets e destruída uma base de tão profícua actividade, passada a declaração inicial para consumo interno, sem saber o que fazer na questão referendária e dando o flanco à investida armada dos homens do Presidente, o movimento que apoia o governo em Rammalah aceita retomar a trégua. Foi resultado de todas estas pressões, conjugadas? Não, apenas do estrangulamento resultante do embargo às movimentações de contas bancárias que permitiriam pagar aos funcionários palestinos de Gaza. Não há governo que funcione, apenas podendo chegar a dinheiro que passa a fronteira a salto...

quarta-feira, junho 14, 2006

A Promiscuidade Maldita

Não suporto ver crianças utilizadas em política, mesmo nas mais inocentes manifestações. Mas muito pior quando as vejo brandidas como escudo humano, designação que não deveria só respeitar aos rebentos de neutros ou dos possíveis inmterventores, mas, igualmente, definir as dos próprios que atrás delas se escondem. Tudo isto a propósito do ataque de mísseis israelitas a um veículo em que seguiam dois conhecidos lançadores de rockets contra o Estado Hebraico, que tem despertado algumas condenações. Por muito lamentável que seja a morte dos miúdos que os acompanhavam, rebater o direito de eliminar terroristas perigosos como aqueles, repetidamente, vinham sendo, seria consagrar como válida a repugnante prática de se esconder atrás dos petizes. A realidade, quando se atinge este patamar de ódios, tem sempre duas faces e nenhuma enobrece.

terça-feira, junho 13, 2006

Significado para W

Podem os Iraquianos não empenhados na fornalha combatente que tem sido o seu País perguntar-se por que carga de água tiveram que levar com o Presidente Bush, logo após se haverem visto livres do Sr. Zarkawi. Os analistas norte-americanos dizem que é tentativa de capitalização eleitoral do texano de adopção, não para si, que disso pode prescindir, mas para os parlamentares que apoiaram a intervenção e lutam por ser reeleitos. Claro que não podemos ignorar essa faceta, na congeminação da visita. Mas parece-me ser muito mais. É uma peripécia acrescida na arte em que o inquilino da Casa Branca é mestre consumado: fazer o americano comum identificar-se com a sua pessoa. Nos debates pré-eleitorais sempre procurou a postura do homem de negócios como tantos outros, em oposição aos políticos profissionais. Aqui quer idêntico resultado, com a movimentação inversa - a do vulgar votante elevando-se à comunhão com a inspecção desencadeada pelo seu escolhido. Na Roma Antiga os triunfos consistiam em desfiles onde eram incluídos os vencidos, acorrentados. Hoje, tempos mais civis, empreende-se viagens de orgulho nacional onde, na véspera, um inimigo importante foi eliminado. Muito sobrinho do Tio Sam deve ter pensado que W era um duplo V... da Vitória.

segunda-feira, junho 12, 2006

Exemplo penal...

...e não exemplo penoso, o da sentença de um tribunal britânico que condenou um pedófilo galês a prisão perpétua sem hipótese de liberdade condicional. Não sabia que era possível no Reino Unido a a aplicação de tal medida sancionatória para casos que não fossem de homicídio. Acham excessivo? Eu não. Todas as pedofilias repugnarão, mas há umas que repugnam mais do que outras. Neste caso a vítima era uma menina de três anos. Não é preciso dizer mais.
Bons Santos!

domingo, junho 11, 2006

A Corda

De roupas, no caso.
Breve nota dominical sobre os três enforcados de Guantánamo. Estranho muito que hajam posto termo à vida por vontade própria, apesar de poderem ter sido as suas próprias mãos as executoras. Não se trata de anti-americanismo, pois os maiores adversários dos EUA estão a apostar a fundo nessa versão, para fazerem concluir que as condições eram tão desumanas que eles teriam preferido a própria morte. Duvido, porquanto o islão proibe o suicídio e aqui não existe a escapatória do combatente-mártir que, artificialmente tem servido para justificar os bombistas que se fazem explodir. Outro factor foi a proximidade temporal e a identidade de processos, que me parecem difíceis de integrar, psicologicamente falando, em três mortes auto-infligidas por opção pessoal, ocorrendo em celas separadas. Um responsável pelo campo veio dizer que havia uma corrente mística que acreditava terem de morrer três dos prisioneiros, para que os outros fossem libertados. Até poderia acontecer que tivessem sido condenados pelos colegas ou sorteados, no caso de não serem os carcereiros os responsáveis. Mas acho muito pouco provável que se hajam voluntariado para o efeito, por exemplo.

sábado, junho 10, 2006

Tomba-Gigantes?

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Não querendo ser apenas um vitelo da manada, condenado ao matadouro quando o ganadeiro muito bem quisesse, Chipre vetou o início de uma nova fase nas negociações com a Turquia, concernentes à inundação por esta da União Europeia, obrigando a presidência austríaca a enviar o caso para o conselho de Ministros dos Negócios Estrangeiros da UE. Duvido de que consiga manter a intransigência, logo o mínimo de viabilidade integracionista. Mas, para já, aqui fica a merecida vénia.

sexta-feira, junho 09, 2006

Realinhamentos

A intervenção do Número Dois de Bin Laden, Al Zwahiri, na problemática que divide os titulares dos principais cargos públicos palestinianos, é claro sinal de desespero e apela, de forma errada, do ponto de vista dos seus interesses, aos instintos da população. Ao desvalorizar o plano de paz que reconhece Israel, como sendo «obra de prisioneiros», quereria excitar os ânimos no sentido de serem desprezados aqueles que se deixaram apanhar. Porém, o sentimento dominante entre os Palestinianos é que os referiedos encarcerados são mártires mitigados e que se os que mais sofrem na pele a opressão israelita defendem o reconhecimento, "por que não"?
O grande problema é que o governo do Hamas pensava poder usar o palco governamental para investir em direcção à Presidência. O ocupante desta, Mahmud Abbas, ao sair-se com uma proposta de referendo que não é constitucionalmente previsto nem proibido, apossou-se do poder de iniciativa, encostando o movimento radical às cordas. Se se opuserem, podem ser acusados de desprezo pela vontade popular que os alçou à governação. Aceitando, transigem na sua grande força, que era a intransigência quanto à não-subsistência do Estado Hebraico.
O mais interessante é que, com tudo isto, toda a gente, eu incluído, pensava que a opção anti-Israelita saísse maioritária. Terá o cansaço operado em silêncio e saberão os dirigentes rivais da Palestina algo que desconhecemos? Seja como for, a votação será sempre o apartar palestiniano do radicalismo Islâmico internacional. Se não por vontade própria, pela dos terroristas.

terça-feira, junho 06, 2006

A Pomba

Em princípio nada tenho contra a missão do Alto-Comissário Solana, com o objectivo de propor a Teerão a desistência do enriquecimento de urânio, em troca do fornecimento de energia nuclear, do Airbus, que desconheço como aqui veio parar e do acenado levantamento de sanções americanas. Nada tenho, neste caso concreto. Mas temo que, para o Futuro, qualquer país pobre que queira abotoar-se com uns subornos venha a inventar um programa nuclear duvidoso. Claro que muitos não representarão uma ameaça directa, como os Ayatollahs. Mas quase todos o poderão significar, a prazo, com a perspectiva de mudança para regimes hostis ao Ocidente. Abrirá este, de cada vez, os cordões à bolsa?

domingo, junho 04, 2006

Confiança Oleosa

Que o Ayatollah Ali Khamenei invertesse o rumo da verbosidade das autoridades do seu País, ligando ao problema nuclear iraniano a utilização, como arma, da interrupção dos fornecimentos de petróleo, era coisa esperada por muito boa gente, apesar de, no meu caso, ter duvidado de que fosse empregue tão cedo. Já a certeza da Menina Rice em que as palavras se não traduzirão em actos, por os restos persas estarem dependentes das receitas da venda do ouro negro, parece-me necessitar de uma boa lavagem, porque pouco oleada. Penso que o extremismo islâmico de Teerão está seguro de conseguir insuflar no Povo o espírito de sacrifício bastante para suportar privações emergentes do decréscimo das exportações. A questão é que não têm interesse em decidir definitivamente uma suspensão destas. Afinal, enquanto a bomba não vem, a arma mais poderosa a que podem recorrer é fomentar a incerteza que alteie os preços do crude no mercado internacional, o que só é prolongável com a manutenção do statu quo.

sábado, junho 03, 2006

A Democracia na América

A alocução do Presidente Bush no sentido de instar o congresso a aprovar uma emenda constitucional visando proibir o casamento de homossexuais em toda a Federação vem sendo dada como uma iniciativa para mobilizar a base conservadora, mas não é bem assim. Para começar, a posição sobre a proibição desse matrimónio tem o favor de muitos Democratas e, dentro destes, até de alguns liberais, no sentido americano do termo. Mas não apenas. Há um número significativo de políticos conservadores que se lhe opõem veementemente, por acharem que tal regulação faz parte dos direitos dos estados federados, cuja protecção é um compromisso de honra seu. O próprio Chefe do Estado evoluiu a partir de uma posição que, inicialmente, tinha pontos de contacto com aquela. Tudo por receio de ver um êxodo desproporcionado de cidadãos interessados rumo ao Massachusetts, o estado que já o consagrou, apesar de ter tido o cuidado de não estender essa permissão a não-residentes. Mas para dar o nó há gente disposta a tudo. Entretanto, apesar das maiorias qualificadas exigidas nos três níveis, prevê-se muito mais difícil a passagem no Congresso, especialmente no Senado, do que na ratificação pelos estados-membros. Pelo exposto.

sexta-feira, junho 02, 2006

A Transcendência da Função

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A 2 de Junho de 1953 era coroada Isabel II, aqui retratada nas vestes do Evento por Cecil Beaton. Filha de um grande Rei que pouco prometera e Mãe de um Herdeiro Real que tarda em dar esperanças de seguir com felicidade os exemplos dos seus Antepassados mais próximos, a Primeira Soberana Britânica desde Victoria a não juntar o título Imperial das Índias ao Real conseguiu ultrapassar as dificuldades privadas com Irmã e Filhos, avançar perante as ameaças do IRA e da Guerra Fria, contornar a avidez tabloidesca de descobrir hostilidade à popularíssima Diana de Gales, casar por amor, mostrar-se favorável ao salto geracional na sucessão, resistir ao declínio da Igreja Anglicana que chefia, mantendo quotas de popularidade tão altas como as geradas pela simpatia e coragem dos Pais no auge da Segunda Guerra Mundial. Ninguém, à partida, diria que seria Monarca excepcional. Mas o estrito sentido do dever opera redondos desmentidos. E o mais comovente é que ainda há um Povo que o reconhece.