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«Insónia», de P. Erik Keys. Posto-a no seguimento da leitura do
inquérito que dá os catalães como sendo de entre os Espanhóis os que dormem pior, ficando a parte de leão atribuída às poucas horas de sono e ao
stress. Poder-se-ia pensar que uma e outra seriam inerentes a uma sociedade que se arroga da liderança no trabalho e na produtividade, a qual obrigaria a uma mitigação do descanso. Entroncando nessa explicação, mas bifurcando para um patamar mais marcadamente axiológico, talvez não seja alheio o facto de a concepção da qualidade de vida na opção mais votada pelos habitantes da região radicar em «ter dinheiro», o que vem reafirmar ser a materialidade elevada a procura prioritária demasiado consumptiva do indivíduo para que sobre espaço para o repouso. E nem tem legitimidade para se queixar quem prefere a bolsa cheia à tranquilidade. Por alguma razão foi por essas autonómicas bandas que a
siesta menos saída encontrou, por entre os Povos da Espanha. É o tipo de inquietação por onde germinam os anseios de uma vida
a solo como condição da felicidade. As noites mal dormidas explicam muita coisa.